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O mito e o monstro

O Brasil está enredado novamente numa terrível armadilha para as eleições presidenciais que se aproximam.
Como ocorreu em 2002, 2006, 2010 e 2014, tudo indica que, em 2018 estaremos de novo em mais arapuca daquelas do “bem contra o mal”, do “nós contra eles”.
Essa armadilha dos extremos, a armadilha que de novo vai jogar o país na vala do atraso ao ter que votar no menos pior, é péssimo para o povo e para a democracia.

De um lado o Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, 2 vezes presidente da república, que promete recolocar o Brasil nos trilhos. Logo ele, que fez parte de um dos governos mais corruptos que se tem notícia da história recente, um governo apanhado literalmente com as mãos na massa.
Em um dos motes de sua campanha em 2006, Lula dizia que a esperança ia vencer o medo. Não venceu. O medo matou a esperança e fritou seu coração com manteiga e sal, e serviu para a desilusão e o ódio devorarem.

Em países sérios, onde vigore um mínimo de ordem constitucional e de respeito pela lei penal, Lula já estaria, diante de tudo que fez, e deixou ser feito no Brasil, morto politicamente, condenado e preso. Aqui não, aqui ele lidera todos os cenários de primeiro e segundo turno para 2018.
Lula tem um escudo a protegê-lo: a popularidade, que passa pelo norte ao sul do Brasil, não é mais unanimidade, mas goza das benesses da demora lenta da nossa justiça, que tarda e falha.
Do outro lado, o segundo colocado nas pesquisas, ninguém mais e ninguém menos que o Sr°. Jair Messias Bolsonaro, um deputado Federal que com quase 30 anos de mandato conseguiu aprovar apenas 2 projetos de lei, e, é nacionalmente conhecido por suas quase sempre polêmicas declarações de ordem racista, homofóbicas e fascistas, frases que o tem projetado nacionalmente, muito mais que sua atuação política, dono de um discurso fácil e de grande aceitação do público em geral, prega o ódio a minorias. Deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) tem como lema “bandido bom é  bandido morto”, e promete ser diferente disso tudo que está aí posto nos noticiários, apesar de usar o cartão corporativo para fazer viagens e palestras Brasil a fora divulgando seu projeto de poder, que resume quase sempre na extração do “Nióbio”, e também promete tirar o país da recessão, apesar de, com seu conhecimento ter um irmão, o senhor Renato Bolsonaro que recebia R $ 17 mil por mês da Alesp do governo do Rio de janeiro, listado como assessor especial do Deputado André Prado, sem nunca sequer ter batido cartão na assembleia do estado.

Dono de ideias que são um verdadeiro sacrilégio, uma ofensa ao estado democrático de direito, Jair, assim como Lula se mostra uma alternativa para um país carente de estadistas e recheados de Messias (desculpa o trocadilho), que prometem salvar a Pátria do que nem eles sabem.

Mitos se fazem no processo vazio de representatividade política no qual nos encontramos.
No Brasil temos exemplos recente como o presidente Collor que se apresentava a população como o “caçador de marajás, o restante da história o eleitor já conhece né?
Nos Estados Unidos da América temos o exemplo do presidente Nixon, 2 presidentes, Nixon e Collor, foram destituídos depois que as escoras políticas que os sustentavam, a popularidade em primeiro lugar, desmoronaram, mostrando assim que o ‘rei sempre esteve nu.’ De volta ao Lula, ele continua contando com ambiente político favorável, lidera, apesar de tudo, os possíveis cenários postos e ganha de quem quer que seja seu opositor, por ora.

Lula e Bolsonaro. Dois Mitos? Ou dois monstros? Foto: reprodução

Lula tem a escora do povo, condenado em primeira instância pelo Juiz Sérgio Moro, corre o risco de ser o primeiro presidente eleito, condenado, e caso preso, corre-se o risco de fazer um mártir que, fora do governo, teria o poder de infernizar o país mais do que dentro, ou seja, Lula continua vivinho da Silva. Eis a armadilha em que o Brasil está enredado minha gente!

E Bolsonaro, o Mito das redes sociais, temas de festas infantis, aclamado por uma geração fraca, boa parte de seus possíveis eleitores nem título de eleitor ainda tem, leitores de gifs no facebook, são nossas maiores opções.
Lula e Bolsonaro tem muito mais em comum que seus correligionários imaginam.
Dois mitos? E com derrotar um mito! Vá se querer destituir Hércules depois de ele ter cumprido os doze trabalhos! Vá se desafiar Teseu depois de ele ter derrotado o Minotauro!
Impossível! O mito Lula que fala errado e tem como maior requinte intelectual as metáforas com o futebol. O outro, Bolsonaro, que promete matar todos os bandidos do país (inclusive o irmão), que promete se preciso for fechar o congresso.

A construção do mito exigi exatamente o vazio que estamos mergulhados nele. Mitos não morrem assim, é verdade. E no nosso caso, não há sinal de mínimo desgaste. Pelo contrário, Lula e sua posição nas pesquisas, num quadro de quase permanente estado de crise, indica que está forte como nunca.
Lula em 2018, aos 73 estará percorrendo o país para divulgar seus poderes.
O Brasil é o maior culpado pela criação dos mitos.

Vander Miguel é escritor nascido no Espirito Santo e apaixonado por Itabirito. “Eu escrevo para me libertar de mim mesmo, escrevo para continuar vivo mesmo depois que morrer…”

Não fossem nossas mazelas, a começar pela pobreza, pela desigualdade social, pela desinformação, o mito, ou os mitos, nunca haveriam de encontrar terreno propício para prosperar. Agora cabe a cada leitor decidir entre o monstro e os mitos, percebe-se aí, o tamanho da armadilha que esse nos aguarda.
É triste termos isso. Ou só isso. 2018 promete ser um ano ímpar. Igual na mediocridade dos debates, e diferente no enfrentam entorno de ideias.

 

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