Marcelo Rebelo: Caso Rildox mostra que precisamos refundar a política em Itabirito

Republicação do artigo escrito pelo jornalista Marcelo Rebelo.

A notícia veiculada no início dessa semana de que o ex-vice-prefeito (na então gestão Manoel da Mota) e ex-vereador pelo PT, Rildo Xavier, o Rildox, poderá ocupar um cargo de diretor na Câmara Municipal foi alvo de críticas nas redes sociais e repercutiu muito mal nos quatro cantos da cidade.

O motivo de tanta condenação foi a repentina virada ideológica de 360% de Rildox, outrora opositor do atual grupo detentor do poder e hoje aliado dos que ele antes criticava.

Essa nomeação, caso aconteça, escancara que o sistema político em nosso município faleceu e acende o alerta de que precisamos urgente revivê-lo e para isso é necessário refazer a prática da política em nossa cidade.

O que temos visto são políticos totalmente desconectados com a realidade da população de Itabirito. Inverteu-se aqui totalmente a regra das coisas. A classe política não está aqui para servir à população, mas para servir a si mesma, a seus apaniguados e a seus parceiros de politicagem.

Neste primeiro ano de mandato, vimos servidores e vereadores gastarem quase um milhão e meio em diárias e passagens em cursos inúteis; descobrimos o maquinário da prefeitura sendo utilizado para obras em residência de vereador; tivemos presidente do legislativo indo a tribuna para ameaçar a imprensa; soubemos de vereador dando jeitinho para arranjar vaga em creche da prefeitura para amigos, dentre outros casos.

Quando a ideologia e a ética são colocadas de lado por nossos políticos, temos como consequência o aumento exponencial da ojeriza da população para com a classe política.

Segundo pesquisa do instituto Ipsos, realizada em 1.720 municípios no final de 2017, apenas 6% dos eleitores se sentem representados pelos políticos em quem já votaram. Para 94%, os políticos que estão no poder não representam a sociedade.

Dessa forma, chegamos à conclusão de que os eleitos não representam a nós eleitores e somente a si mesmos. Assim, observamos uma queda acentuada no envolvimento das pessoas na atividade partidária e nos processos políticos.

Por isso, volto a afirmar, precisamos refundar toda a prática política em nossa cidade, caso contrário estamos fadados ao fracasso, ao atraso e à miséria. Fato agravado, pois vivemos em um município cuja arrecadação vem toda de um bem finito como o minério de ferro.

E um bom começo é não votando nas eleições deste ano nos candidatos a deputado apresentados por nossos políticos.

 

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