DestaqueItabirito

Marcelo Rebelo: Câmara promove cobertura fajuta e parcial das Sessões Ordinárias

A Assessoria de Comunicação da Câmara Municipal tem prestado um verdadeiro desserviço para a população de Itabirito ao praticar um jornalismo fajuto e partidário no que diz respeito às coberturas das Sessões Ordinárias. Tal desmazelo tem privado o contribuinte de um direito básico: ser informado com qualidade e de maneira isenta sobre a atuação dos vereadores nas reuniões de segundas-feiras.

A matéria Vereadores discutem assuntos importantes para o município e votam Projetos de Lei, publicada na quarta-feira (01/10) e referente à reunião de (30/10), foi a gota d’água. Temos ali o exemplo de uma cobertura, mal escrita, parcial e irresponsável no trato com as informações.

O texto nem sequer teve o trabalho de parecer imparcial ao criar embaraços para a oposição. Isso pode ser comprovado de cara pela foto a ilustrar a matéria cujo ângulo realça o exato momento em que os vereadores Leo do Social e Rose da Saúde não estavam na bancada.

Isso é jogo sujo e manipulação barata, pois o leitor que não esteve na Sessão ou não escutou o áudio vai supor que os mesmos faltaram à reunião. E basta uma busca nas matérias anteriores para comprovar que não é a primeira vez que isso acontece.

Outro ponto é o fato de a matéria ser toda focada no vereador Max Fortes, uma transcrição literal da fala dele. Tem-se a impressão de que o texto foi escrito por um assessor de imprensa contratado pelo parlamentar.

Ele é inclusive o vereador mais citado nas coberturas feitas pela Assessoria de Imprensa daquele legislativo, conforme dados retirados do site da Câmara.

Fonte: site da Câmara de Itabirito
Fonte: site da Câmara de Itabirito

Toda a matéria foi centrada na explicação do vereador sobre a aprovação das licenças para a construção da Barragem Maravilhas III da Vale, em Itabirito. Até aí nada demais, essa mesma informação foi veiculada na manhã de terça-feira (31/10), pelos veículos Mova-se Itabirito e Impacto Atual.

O problema é que poucas horas depois veio a notícia “Justiça suspende licença para implantação de barragem da Vale em Minas Gerais”. Nesse caso, como a matéria da cobertura da Sessão foi publicada no site da Câmara na quarta-feira (01/10), às 16h45, o anúncio do vereador Max Fortes perdeu todo o sentido jornalístico.

Ou seja, trata-se de um caso claro de desmazelo no trato da informação e isso é agravado por se tratar de um canal de comunicação oficial de um ente público. Não posso acreditar que a ânsia de promover o vereador foi tanta que a credibilidade com a informação veiculada foi deixada de lado.

E mais uma vez, um leitor desavisado poderia ter sido induzido ao erro ao ter como factual a notícia de que as licenças estavam mesmo aprovadas e gerariam sete mil empregos.

A matéria também é tendenciosa ao omitir que o ponto mais importante da reunião foi na verdade a discussão e votação, em segundo turno, do polêmico Projeto de Lei 27/2017, responsável por criar benefícios previdenciários para um grupo seleto de servidores municipais.

Tal fato nem ao menos é citado na cobertura, inclusive o áudio da fala da vereadora de oposição Rose da Saúde ao tratar desta questão foi cortado no momento exato em que ela começou a criticar o Projeto.

O vereador opositor Ricardo Oliveira, também critico do Projeto 27/2017, e que apontou pontos desabonadores para o executivo como a proliferação de escorpiões, a difícil situação dos servidores e o abandono de equipamentos públicos de esportes, nem foi citado na matéria.

Não vou entrar em detalhes sobre os erros de português encontrados no texto, comuns nas demais matérias e que demonstram um desrespeito para com os leitores daquele site.

O presidente José Maria e os burocratas nomeados por ele para os cargos de diretoria deveriam ter um pouco mais de respeito para com o trato da coisa pública. A cobertura jornalística de uma Sessão Ordinária de uma Câmara Municipal é coisa séria. Trata-se de uma maneira de prestar contas para a população e informar sobre o que ali é produzido e isso deve ser feito de forma clara, transparente e ética.

A cobertura das Sessões deve ser imparcial e apartidária e que se dê nas matérias espaço, na medida do possível, igualitário para todos os vereadores, independente de grupo político ou corrente ideológica.

Não posso aceitar que o dinheiro de meu imposto seja usado para manipular a informação de maneira tão evidente com o intuito de beneficiar um grupo de vereadores alinhados com um projeto político e em contrapartida criar embaraços aos que se opõem a esse projeto.

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Close

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios