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Leide Gonçalves: 1ª mulher a assumir o comando do Bombeiro Municipal de Itabirito

Nomeada no dia 17 deste mês, Leidiana Gonçalves de Fátima (conhecido como Leide) é a primeira mulher a assumir a instituição “Bombeiro Municipal de Itabirito”. É a primeira vez também que um bombeiro municipal assume o comando da corporação. Até então, os comandantes sempre foram militares da reserva ou outros escolhidos por prefeitos.

Leide é técnica em enfermagem, tem 37 anos de idade, sendo 16 anos como bombeiro. É nascida e criada em Itabirito. Conhece bem a realidade do quartel e da cidade. Ela substitui o sargento Nívio Gonçalves da Silva, que por anos foi o comandante.

Segundo Leide, em Minas Gerais, só em Itabirito há bombeiros municipais. Nas outras cidades mineiras, de acordo com ela, os bombeiros são militares ou voluntários. “Há também os civis que atuam em eventos”, disse.

Leide foi entrevistada pelo Impacto, confira:

Impacto Atual: O que precisa mudar no trabalho dos bombeiros?

Leide: O trabalho desenvolvido é muito bom em Itabirito. Se eu disser que precisa de mudança, estarei sendo egoísta. Nosso quartel, por exemplo, tem o que a maioria dos quartéis não tem. A nossa estrutura é muito boa. Estamos há 19 anos atendendo à população, e a gente não atende somente à cidade de Itabirito.

Contudo, algumas pessoas reclamam da demora dos bombeiros para atender ocorrências. Como você responde a isso?  

O que acontece é que muitas vezes a gente tem de atender a três ou quatro ocorrências ao mesmo tempo. Ontem (dia 27), por exemplo, recebemos um telefonema 11h21, outro às 11h25 e mais um às 11h35. No primeiro caso, foi uma queda de altura; na segunda ocorrência, um acidente de moto; e a terceira foi uma pessoa tendo um AVC. Outra situação comum, é que o caminhão tem dificuldade para chegar a alguns lugares. Até o bairro Monte Sinai, por exemplo, demora cerca de 20 minutos. Depois de vazio, é preciso um bom tempo para enchê-lo novamente. Que a população saiba que todas as ocorrências para nós são importantes.

Qual é a frota da corporação e quantos “homens” trabalham?

Somos 28 bombeiros atuando em três alas. Nossa frota é composta por duas ambulâncias, duas caminhonetes (uma delas é em parceria com a Defesa Civil), um caminhão de combate a incêndio e um Palio que atua administrativamente.

Você acredita que pode haver preconceito pelo fato de uma mulher estar em um comando que na maioria das vezes é ocupado por homens?

Sei que meu trabalho à frente dos bombeiros não vai ser fácil. Contudo, nós nos respeitamos porque, na hora do trabalho, somos todos um só. Aqui não há diferença entre masculino e feminino. Não há diferença de sexo na função.

Você vai atuar nas ruas ou pretende ficar somente dentro do quartel?

Sim, vou atuar nas ruas sempre que eu puder. Não quero perder a minha origem. Em algumas ocorrências, estarei lá. Estar presente nas ruas faz a diferença na qualidade do meu trabalho.

Quando deixar o cargo, você será lembrada como que tipo de comandante?

Pergunta difícil. Se eu deixar o cargo, quero continuar sendo bombeiro. Por isso, não quero perder a minha essência.

Você tem desafetos nos bombeiros?

Comandante Leidiana. Foto: Impacto Atual

Somos todos amigos, mas acima disso, somos todos profissionais.

O que você quer dizer é que possíveis animosidades são superadas pelo profissionalismo da corporação?

Sim. Se há alguma desavença, o profissionalismo deve estar sempre acima disso.

O que significa um bombeiro municipal genuíno assumir a corporação?

Para nós, é uma novidade. Como se tivéssemos dado um passo adiante. Aqui cada bombeiro conhece bem o trabalho de todas as alas.

Como será o relacionamento com a imprensa?

Vamos aprimorá-lo. Por meio da imprensa é que as pessoas ficam sabendo a respeito do trabalho que a gente desenvolve. Não deixa de ser uma espécie de prestação de contas com a sociedade. Para se ter uma ideia, são aproximadamente 12 ocorrências por dia.

Qual é a mais comum?

Layout das viaturas dos bombeiros que será realidade em breve. Foto: Impacto Atual

Acidentes de moto e apoio à UPA.

Em termos legais, o que falta para a instituição Bombeiro Municipal de Itabirito?

Agora, não falta nada. Assinamos um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com os Corpo de Bombeiros Militar que inclui treinamentos para nós. O prefeito (Alex Salvador) está investindo alto na qualidade do nosso trabalho. Por causa do TAC, as viaturas e os uniformes terão novas cores (verde e alaranjada) escolhidas por votação entre nós. Como somos os únicos bombeiros municipais de Minas, nós estamos criando nosso próprio layout com base nos bombeiros municipais de São Paulo. Em Itabirito, fomos voluntários de 1999 a 2005. A princípio era uma brigada contra incêndios. A partir de 2000, tivemos contratados e voluntários. Desde 2005, somos somente contratados e efetivos (concursados).     

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