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Itabirito: Água Limpa reivindica melhorias básicas para a região em audiência do Plano Diretor

Na noite desta quinta-feira (16), cerca de 150 moradores da região de Água Limpa, que fica nas proximidades da fábrica da Coca-Cola, foram à Câmara de Vereadores para reivindicar melhorias na região. Para isso, eles aproveitaram a segunda audiência pública de revisão do Plano Diretor que se deu na Casa Legislativa.

O que eles pedem são água tratada, transporte escolar, iluminação pública e segurança.

Segundo Raione Aiala (37), presidente da Associação Solidária do Balneário Água Limpa, “a Prefeitura de Itabirito não reconhece a área como de interesse social”.

“A administração municipal privilegia as empresas. Falta de tudo para a gente. A Prefeitura só reconhece os condomínios de luxo. Queriam criar uma lei (PL 54) que restringia a 5% a área de interesse social, mas o Ministério Público não concordou”, disse o presidente.

Segundo ele, de 2.500 a 3.000 famílias moram na região. Questionado se a maioria das moradias na Água Limpa está em área de invasão, o presidente disse: “Tem gente que mora lá há 15, 25, 30 anos”. 

Para ele, os direitos dos moradores são garantidos por meio do “usucapião”. E, de acordo com o presidente, alguns pagam IPTU e luz.

Ônibus de moradores são parados a caminho da reunião

Segundo outro líder comunitário, Marcos Aurélio da Silva (51), moradores de Água Limpa foram tratados de forma inadequada por autoridades policiais, a MG-356, a caminho da reunião na Câmara.

Isso porque, de acordo com ele, houve uma montagem de áudio divulgado por meio do WhatsApp. “Uma mensagem gravada no mês passado pedia que a comunidade não usasse de violência durante reivindicações. Contudo, foi feita uma edição por meio da qual parecia que queríamos o confronto”, disse ele em entrevista à imprensa de Itabirito.

Por causa do áudio, um forte esquema de segurança foi montado na Câmara de Itabirito (com PMs e GMs) e na barreira policial (com PMRs).

Os ônibus que transportavam os moradores foram parados. “Fomos tratados como bandidos”, disse o líder. Os veículos foram liberados a pedido da promotora Vanessa Campolina. A reportagem não conseguiu falar com os policiais rodoviários.

O Impacto Atual saiu da Câmara por volta das 21h, depois de cerca de 2h de reunião. Até então, não houve qualquer sinal violência.

Outro lado

Em uma rápida entrevista, durante a reunião, o secretário de Urbanismo da Prefeitura de Itabirito, Marco Aurélio, disse que a população terá a chance de falar durante a elaboração do plano em itabirito. Contudo, “esta reunião não é o melhor momento. Os dias ideais serão durante as oficinas, por meio das quais cada comunidade será ouvida”, disse ele.

A oficina que vai ouvir especificamente a comunidade de Água Limpa foi marcada para o dia 9 de dezembro. O evento acontece na comunidade.

Contudo, em qualquer oficina, moradores de qualquer comunidade terão a chance de dar opiniões. Serão ao todo cinco oficinas.

Segundo o secretário de Urbanismo, não há motivo para alarde uma vez que a comunidade de Água Limpa está contemplada no Plano Diretor.

De acordo com ele, a região de Água Limpa é uma situação atípica que existe desde a década de 50. “Hoje (dia 16) viemos falar de algo mais amplo que é o Plano Diretor em toda a cidade”, disse ele.

Segundo o secretário, a região da Água Limpa pertence Urbe-DU da BR-040 (Área Urbana Especial de Desenvolvimento Urbano da BR-040) que engloba os condomínios Aconchego da Serra, Vila Belo Vale e empresas como Gerdau, Coca-Cola e Vale, além da comunidade da região Água Limpa.

“Não estamos discutindo no momento um assunto específico, ou seja, um bairro ou uma região. Discutimos o uso do solo em toda Itabirito. Durante as oficinas, aí sim, cada comunidade será ouvida. Depois, faremos estudo e apresentaremos as soluções. Os problemas de Água Limpa não foram excluídos do plano, mas eles não podem ser resolvidos da noite para dia”, disse o secretário.

Acuruí

O presidente da Associação Comunitária de Acuruí, Luiz Carlos, pediu que a população do distrito pudesse ter de volta o direito de usar a “prainha”.

Segundo ele, o espaço foi cercado, o que restringiu o acesso à lagoa de Acuruí. Pediu também melhorias dos serviços de Correios no distrito.         

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