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Fabrício Cotta: Renata x Bolsonaro

Todo mundo falando da traulitada que a Renata deu no entrevistado e eu só pensando no diálogo entre assessores na reunião de preparação do candidato para a entrevista. Deve ter sido mais ou menos assim:

Assessor radical – Candidato, quando te perguntarem sobre mulheres ganharem menos do que homens, diga que ali existem dois jornalistas, um de cada sexo, e o homem ganha mais que a mulher.

Assessor Ponderado – Mas, veja bem, ali são desempenhadas funções diferentes. O tema é salário desigual para mesma função.

Candidato – gostei dessa de dizer que o salário é desigual, vamos colocar eles na defensiva. Meu eleitor não sabe o que é função.

Assessor radical – Candidato, quando te perguntarem sobre a ditadura, diga que o patrão deles também defendeu o golpe de 1964.

Assessor Ponderado – Pessoal, o candidato já falou isso em outra entrevista na mesma rede e teve como resposta um editorial que mostrou que a manifestação do dono da empresa era antigo e que depois dela foi publicado outro editorial dizendo que a posição era equivocada e que eles se arrependeram da posição anterior.

Candidato – Não importa. Vou repetir isso mesmo. Deixa eu decorar aquelas três frases que eu gosto. Meus eleitores nem conseguem entender o que é autocrítica. Isso é coisa de comunista.

Assessor radical – Quando te perguntarem sobre segurança, não importa qual seja a pergunta, responda que vai condecorar policial que matar bandido.

Assessor Ponderado – Mas, candidato, você tem dificuldade em conseguir votos de mulheres e populações de periferias, que são as que mais sofrem injustiças causadas por políticas de segurança violentas. Assim não vai avançar no eleitorado.

Candidato – Pouco importa. Eu quero mesmo é manter os votos daqueles que já me seguem. Eles nem fazem ideia do que é injustiça por violência estatal, pois não estão nas periferias das cidades. Vou fazer mais, vou dizer que policial que meter 15 balas em bandido receberá medalha. Será que eu faço aquela posição de arma com as mãos para a câmera? Seria legal, mas acho que vai atrapalhar minha cola na mão. Além disso, assim que der, vou juntar as palavras criança, gay, escola e LGBT. Não importa a ordem. Isso sempre funciona para manter meus eleitores alertas.

Não sei, só sei que foi assim, diria aquele brasileirinho genial.
Spoiler: dois desses personagens podem ser reais. Um é 100% ficcional.

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