Coluna

Fabrício Cotta: Autocrítica ao PT

Coluna de Fabrício Cotta

Palavras da companheira Andrea Caldas que, assim como eu, também é filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT).
Eu digo, repito e reafirmo: ninguém tem mais autoridade e conhecimento de causa para falar sobre as opções erradas do PT e do Lula do que nós, petistas.

Vamos falar a verdade?
Nunca fui purista na política. Fui filiada por 26 anos ao PT e já defendi alianças com o PTB, no microfone de convenção partidária. Assumo as opções que faço e, também, os meus erros de análise.Então, vamos lá:

O PT lançou uma campanha de que “eleição sem Lula é fraude”. Dialoguei com os companheiros e companheiras dizendo que tal como o “não passarão” esta campanha embutia um compromisso de anular o voto, se Lula não fosse candidato. Ouvi cobranças pelo fato do PSOL lançar candidatura neste tempo de “fraude eleitoral”. Diziam-nos que – coerentemente com os tempos de golpe – não devíamos lançar candidatos.

Pois bem, o mestre mandou dizer que era hora de recuar e, tal como já vi acontecer, a militância pujante do PT (que de fato é) arranja argumentos para justificar a mudança de rota e dizer que… veja bem… é fraude mas, a gente vai votar no Haddad. Foi assim, quando todos rumavam pela candidatura de Tarso Genro no partido e Lula decidiu que era Dilma.
Ninguém sabia sequer quem ela era. Antes disto, Suplicy emplacou sua candidatura interna e foi massacrado. Porque Lula decidiu.

Dilma se revelou melhor do que muita gente esperava. E até agora, a grande crítica de muitos lulistas é que ela não fez tudo o que Lula ditava. Decerto, Lula queria que ela nomeasse seu ministro preferido: o Meirelles do Temer. Aliás, foi a “genialidade” do Lula que emplacou o Temer como vice da Dilma. Coisa que ela nunca tolerou, conforme se sabe pelo “bilhete do vice”. Pois bem, depois de Dilma, veio Haddad.
O prefeito que, quando explodiram as manifestações pelo Passe Livre, em 2013, foi para Paris e disse que não negociava “em situação de violência”. Lula passou-lhe uma reprimenda pública e mandou que ele voltasse. Ele voltou e anunciou a redução da tarifa – outrora negada- ao lado de Alckmin. Antes disto, como Ministro da Educação, tinha sido sócio-fundador do Todos pela Educação, grupo de conglomerado empresarial que passou a ter influência determinante nas políticas do MEC. Quando deixou de ser prefeito, saiu da USP e foi lecionar no INSPER- centro empresarial do pensamento liberal de SP.

Na campanha a presidente, como indicado de Lula, buscou os setores golpistas e acenou o diálogo com o PSDB. Tudo bem se há setores do partido que avaliam que esta “nova coalizão” de golpistas, empresários e PSDB ajudem a derrotar Bolsonaro. E que a eleição não é fraude, agora.

Só, por favor, assumam isto.
Digam de verdade que é isto que pretendem.
Não tentem vender uma candidatura como ela não é.

Já passamos por isto, quando votamos em Dilma e ela convidou o elaborador do programa do Aécio para ser seu Ministro da Fazenda.
Ela não foi enganada. Dilma entendia de Economia e sabia quem era Joaquim Levy. Era uma opção.
Contudo, disse que ia fazer tudo o contrário, na campanha do segundo turno. Condenou o aumento de juros e o corte de gastos. Fez isto, três dias depois da eleição.

Não há erro em assumir opções pragmáticas.
Só não edulcorem com a capa do que ela não pode e nem pretende ter.

É por conta destas mentirinhas consentidas que muita gente está desacreditando da política.

Vamos falar a verdade?

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